Conheça o Design Sprint, o inovador processo que ajuda a responder perguntas críticas de negócio e produto

O Design Sprint é uma ótima solução para quebrar um ciclo que muitos vivem ou já viveram: reuniões atrás de reuniões, com discussões intermináveis sobre que produtos e estratégias seguir; longo tempo para lançar produtos e verificar se é bem aceito pelo mercado; equipes de diferentes departamentos desalinhadas e levando ao extremo o termo “multitarefa”. Muito trabalho, mas uma sensação desagradável de pouco progresso.

O método, que nasceu dentro do Google, surgiu para ajudar equipes a acabar com esses problemas.

O que é Design Sprint

É um processo de cinco dias que ajuda a responder questões críticas de negócio através de design, prototipação e teste de ideias/conceitos com usuários reais.

O Design Sprint importou e combinou filosofias e práticas de metodologias ágeis e Design Thinking.

Através dele é possível descobrir se uma ideia é boa ou não, sem a necessidade de gastar meses para se lançar um MVP (Minimum Viable Product; Produto Mínimo Viável) e obter os aprendizados necessários para avaliar uma solução para um problema.

Em uma Sprint, a equipe tipicamente trabalha junta por 5 dias, em um mesmo ambiente, e foca em um grande desafio.

As diversas atividades contidas no Design Sprint encurtam o processo construir-medir-aprender, do Lean Startup, pulando o longo ciclo de construção.

Ciclo convencional de desenvolvimento (1-2-3-4) versus ciclo Design Sprint (1-4)
Ciclo convencional de desenvolvimento (1-2-3-4) versus ciclo Design Sprint (1-4)

Com o Sprint, é possível testar uma ideia de modo rápido, colocando nas mãos do usuário final um protótipo de uma solução e, assim, observar suas reações, tendo descobertas e aprendizados que, de outra forma, levariam meses para ocorrer (ou nunca ocorreriam).

O método é pragmático e elimina discussões intermináveis, entregando o momentum necessário para levar produtos aos usuários finais, sem ter que gastar semanas, meses ou mesmo anos construindo um produto errado. Ele permite ter uma visão do futuro, quando seu produto existe, e ver como seus usuários reagem a ele. Tudo isso, sem precisar se comprometer financeiramente.

Como funciona o Design Sprint

O Design Sprint é dividido em cinco dias de atividades, que envolvem compreender o desafio, esboçar soluções para esse desafio, definir qual solução será testada, prototipar essa solução e testar com usuários reais, obtendo um feedback rápido sobre a ideia.

Processos de um Design Sprint
Processos de um Design Sprint. Adaptado de Neil Turner

Explicamos resumidamente as atividades em cada dia:

DIA 1: Segunda-feira: Criar um mapa e escolher qual desafio atacar

No primeiro dia da Sprint a equipe passará por uma série de exercícios para ajudar no seu alinhamento de visão futura e na compreensão dos desafios que a empresa enfrenta, na ótica de pessoas de diferentes departamentos.

Com isso, a equipe se mantém alinhada ao objetivo, para onde todos querem chegar. Todos ficam cientes dos diferentes desafios de cada área da organização, que impactam na estratégia global do produto e empresa.

O marco do primeiro dia da Sprint é a criação de um mapa, em que a equipe vê claramente todo o processo da organização e em que áreas os problemas se aglomeram.

Criando um mapa da Sprint
Criando um mapa da Sprint. Fonte: GV

Para saber mais sobre o primeiro dia da Sprint, veja um curto vídeo explicativo (em inglês) do Google Ventures (GV): Sprint: Monday

DIA 2: Terça-feira: Esboçar soluções para o desafio

No segundo dia da Sprint toda a equipe vai trabalhar em soluções para o desafio.

Cada um trabalha individualmente em suas próprias ideias, buscando colocar o máximo de soluções diferentes no papel, sem discussões em grupo.

Usando quatro atividades diferentes para esboçar ideias, ao final do dia cada membro terá um conceito bem explicado de sua solução, que será visto por toda equipe no terceiro dia da Sprint.

Quatro fases dos esboços
Quatro fases dos esboços. Fonte: Adaptado de AJ&Smart

Veja o vídeo explicativo do GV sobre o segundo dia Sprint: Tuesday

DIA 3: Quarta-feira: Decidir qual solução testar

O terceiro dia do Design Sprint é o que a equipe irá analisar todas as ideias e conceitos criados.

Com um sistema estruturado para avaliar e discutir as ideias apresentadas, a equipe vota nas soluções que melhor atendem os desafios selecionados para a Sprint. Após a escolha das ideias e funcionalidades a serem testadas, a equipe desenha um storyboard, que ajuda a ver todo o fluxo do usuário dentro da solução e auxilia a equipe a criar o protótipo no dia seguinte.

Criando um storyboard no Design Sprint
Criando um storyboard. Fonte: GV

Veja o vídeo explicativo do GV sobre o terceiro dia Sprint: Wednesday

DIA 4: Quinta-feira: Criar o protótipo

O quarto dia do Design Sprint é separado exclusivamente para criação do protótipo. É um dia intenso e que demanda foco e agilidade para produzir o protótipo com os conceitos definidos no storyboard do terceiro dia.

Por causa da janela de tempo bastante curta, o objetivo deste dia não é criar um produto perfeito funcional, mas um produto “fachada”. O protótipo deve conseguir reproduzir as experiências que produto real entregaria; assim ele obtém reações reais dos usuários e traz respostas às perguntas da Sprint.

O Design Sprint pode ser utilizado para prototipar desde produtos digitais, produtos físicos, hardwares e até serviços. Existem diversas maneiras e ferramentas para se criar protótipos de maneira simples durante o quarto dia da Sprint.

Equipe trabalhando no protótipo da Sprint
Equipe trabalhando no protótipo da Sprint. Fonte: GV

Veja o vídeo explicativo do GV sobre o quarto dia Sprint: Thursday

DIA 5: Sexta-feira: teste com usuários e aprendizados

O quinto dia da Sprint é o tão esperado, em que o protótipo é apresentado para cinco usuários, em sessões individuais.

Os usuários são entrevistados e interagem com o protótipo, possibilitando que a equipe avalie sua experiência em relação aos diversos quesitos da solução apresentada.

Ao final do dia, a equipe tem um mural dos feedbacks de todos os usuários, conseguindo ver os erros e acertos e avaliar se a ideia foi válida ou não, e se há a necessidade de rodar mais uma Sprint para aplicar correções e desenvolver um protótipo melhor, para testar novamente.

Entrevista e teste com usuário no Design Sprint
Entrevista e teste com usuário. Fonte: GV

Veja o vídeo explicativo do GV sobre o quinto dia Sprint: Friday

Que resultados esperar de um Design Sprint

Resultados possíveis de um Design Sprint

Ao analisar todos os feedbacks e verificar os objetivos e perguntas da Sprint, a equipe pode alcançar três resultados:

Uma falha eficiente

A Sprint ajudou a descobrir de modo rápido que muitas (ou todas) as hipóteses a respeito de uma solução foram invalidadas ou não foram bem aceitas pelos usuários.

Foi uma falha eficiente, afinal a equipe economizou um enorme tempo e dinheiro, evitando de construir um produto por meses (ou anos) que o seu cliente não iria usar. Além disso, a equipe/organização também poupou seus membros da enorme frustração de lançamento de fracasso.

Um sucesso falho

Outra possibilidade de resultado ao final da Sprint é a equipe validar parte das ideias, mas ainda não ter certeza sobre outros pontos da solução, com muitas respostas ainda inconclusivas.

Para este caso, o ideal é refinar as ideias e realizar mais uma Sprint (também chamada “Sprint de iteração”), corrigindo os erros detectados no teste com usuário e melhorando/criando um novo protótipo para validar com outros usuários.

Uma vitória épica

É o cenário que todos desejam alcançar ao final do Design Sprint. Os usuários mostraram reações positivas em relação ao protótipo e a equipe conseguiu responder as hipóteses e perguntas da Sprint.

O próximo passo agora é desenvolver e lançar o produto!

Google Design Sprint: como surgiu?

O método Design Sprint nasceu dentro do Google. O designer Jake Knapp, criador do processo, percebeu que o modo como produtos eram lançados até mesmo dentro da Google não era eficiente. A gigante também demorava um longo tempo para testar ideias e soluções com usuários reais.

O início da criação do Design Sprint começou com um projeto chamado “Google Meeting”, um programa de videoconferência pelo navegador web. O projeto, se arrastava havia anos, até que Jake e seus colegas resolveram liberar uma semana de suas agendas e se dedicar a criar um protótipo da ideia e testá-la com usuários.

Jake Knapp – criador do Design Sprint
Jake Knapp – criador do Design Sprint

Em poucos dias, sua equipe conseguiu criar o protótipo e validá-lo com outras pessoas. Esse protótipo começou a ser usado pela equipe do Gmail e depois toda empresa estava o utilizando. Eventualmente, essa solução se tornou o conhecido Google Hangouts.

Após essa experiência e resultado rápido, Jake começou a analisar os processos que sua equipe fez de correto para chegar ao protótipo e teste com usuário com tanta agilidade. Jake foi refinando o processo, que denominou de Design Sprint, e foi o aplicando dentro de vários projetos da Google.

Em 2012, Jake Knapp foi trabalhar dentro do Google Ventures (GV), o braço da empresa que investe em startups e outras empresas. Na GV, Jake pode refinar ainda mais o processo, em centenas de organizações de diferentes ramos: B2C, saúde, dados e IA, enterprise, robótica e hardware. Diversos dos cases e histórias de sucesso de Design Sprint são relatadas no blog da GV.

Em 2016, com todo seu conhecimento e cases de sucesso com a aplicação de Design Sprint, Jake lançou o livro Sprint: O método usado no Google para testar e aplicar novas ideias em apenas cinco dias (Publicado no Brasil pela editora Intrínseca), fazendo com que o processo fosse adotado por cada vez mais empresas, de variados setores.

Livro Sprint
Versão original do livro Sprint: how to solve big problemas and test new ideas in just five days


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