O método Design Sprint, criado por Jake Knapp dentro do Google, é uma ótima caixa de ferramentas para testar ideias e prototipar soluções em um curto período de tempo — menos de cinco dias.

Com ele, é possível chegar rapidamente a respostas críticas de negócio e verificar se vale a pena ou não investir em uma ideia/solução.

Apesar de ter nascido dentro do Google e a grande maioria dos cases famosos de aplicação do Design Sprint envolverem produtos digitais, o método pode ser utilizado em diferentes cenários e indústrias.

Seja partindo do zero ou melhorando algo existente, o Design Sprint pode ser utilizado em produtos digitais, produtos físicos, serviços, estratégias, processos e várias outras aplicações.

Em um interessante painel apresentado por especialistas do Google, no ProductTank San Francisco (vídeo abaixo), podemos ver alguns exemplos e insights dos diferentes tipos de Design Sprints e as várias maneiras que eles podem ser aplicados para satisfazer as necessidades e objetivos das equipes.

O cerne do Design Sprint é responder perguntas críticas de negócio através de prototipagem e testes com usuários reais. O objetivo é garantir que as equipes construam soluções certas e que seus clientes realmente queiram usar.

Que tipos de problemas podem ser resolvidos com o Design Sprint?

O processo do Design Sprint pode ser aplicado para diferentes necessidades, desde gerar uma visão para um novo produto, redesenhar uma funcionalidade específica ou fluxo de um produto existente, até melhorar um processo ou criar uma marca.

O Design Sprint permite que uma equipe tenha uma visão 360° de possibilidades, descobrindo e priorizando diferentes soluções para um problema de um modo rápido e iterativo. Ele leva em considerações aspectos técnicos, de negócios e de experiência de usuário, ajudando a criar soluções que atendam aos três quesitos.

O Design Sprint permite que uma equipe tenha uma visão 360° de possibilidades, descobrindo e priorizando diferentes soluções para um problema de um modo rápido e iterativo. Ele leva em considerações aspectos técnicos, de negócios e de experiência de usuário, ajudando a criar soluções que atendam aos três quesitos.

Design Sprints ajudam a criar soluções que conciliam aspectos de negócios (rentabilidade), engenharia (factibilidade) e design (desejabilidade)

Tipos de Design Sprint

Na palestra de Kai Haley (Gerente de Design no Google e Google Sprint Master), podemos ver quatro dos vários diferentes tipos de Sprints, e ouvir como o Google as usa para resolver problemas críticos para empresas como Headspace ou mesmo para ONGs como Médicos sem Fronteiras.

1. Design Sprint de Produto

É a aplicação mais popular do método. Pode ser usada para solucionar, por exemplo, desafios como: melhorar a experiência de onboard de novos usuário; identificar jornadas de usuários para entender os pontos problemáticos e melhorar o produto; ou gerar e testar ideias para novas funcionalidades para aumentar o engajamento

Como entregas, uma Sprint de produto pode resultar em, por exemplo: jornadas de usuários completas ou fluxo de usuário para múltiplos usuários; protótipos de alta fidelidade para testar ideias de novas funcionalidades; ou protótipos clicáveis para testar fluxos melhorados.

Um exemplo bem interessante de Design Sprint de Produto que foi trazido na palestra foi o case da Headspace, que tinha como objetivo criar uma experiência de meditação para crianças, que fosse capaz de inspirar crianças a participar com atenção plena. Como entrega, a Headspace teve um protótipo de alta fidelidade validado com as crianças, contendo os momentos chave dessa nova experiência.

Nova versão do Headspace para ajudar crianças a meditar

Você pode ler mais sobre o case do Design Sprint da Headspace aqui:Headspace Explores a New Audience

2. Design Sprint de Processo

O método também pode ser usado para melhorar processos organizacionais como, por exemplo: contratação de novos funcionários; definição do processo para implementação de novas ferramentas; ou simplificar o processo para aprovar novos projetos.

Como exemplos de entregáveis, Kai Haley cita: mapas de processo traçando o novo processo; mapa de stakeholder para visualizar o ecossistema; ou um plano de projeto para implantar o novo processo.

O case de Design Sprint para melhoria de processo trazido na palestra foi o do processo de contratação do Google. O objetivo da Sprint era criar uma fundação para melhorar o processo de contratação, e tinha como entregáveis a jornada de usuário totalmente documentada, junto com o mapa do processo redesenhado.

Nessa Sprint para melhoria de processo, o Google reuniu várias equipes, em um total de 35 pessoas, dividindo as equipes baseado em cada tipo de usuário.

Equipes da Sprint do Google para redesenhar o processo de recrutamento e contratação

Foram feitos aprofundamentos para compreender cada envolvido no processo de contratação — staff, entrevistadores, candidatos, gerentes de contratação e revisores. Ao final, as equipes chegaram a uma plataforma unificada de ferramentas de recrutamento, com uma maneira de organizar seus projetos de modo que funcionasse muito bem para toda a equipe em um processo claro.

Google Careers: resultado de várias Sprints

Saiba mais sobre o processo de contratação do Google:Here’s Google’s Secret to Hiring the Best People
“You never get a second chance to make a first impression” was the tagline for a Head & Shoulders shampoo ad campaign…www.wired.com

3. Design Sprint de Visão

Outro tipo de aplicação do Design Sprint é o que a especialista do Google chama de Sprint de Visão. Esse tipo de Sprint é utilizado para se trabalhar em algo que geralmente não será executado no próximo trimestre, mas que ajuda a pensar no futuro, no que um produto pode se tornar.

A Sprint de Visão também ajuda a explorar desafios ou oportunidades mais abrangentes como, por exemplo explorar oportunidades envolvendo as necessidades de crianças e tecnologia; ou definir um novo produto a ser oferecido com IoT.

Dentre os possíveis entregáveis de uma Sprint desse tipo, são ferramentas e materiais que ajudarão a mostrar e alinhar outras pessoas e equipes com essa Visão de novo produto ou solução. Na palestra, são trazidos como exemplos: a definição de produto, audiência e proposta de valor; narrativa inspiracional para ilustrar um novo modelo; slides apresentando momentos críticos de um protótipo de alta fidelidade de um novo produto.

O exemplo para a Sprint de Visão trazido na palestra foi o case do Google Home Services, que basicamente ajuda a encontrar prestadores de serviço como encanadores, eletricistas, etc. O objetivo da Sprint era criar uma visão para a experiência completa do produto, para apresenta-la aos principais stakeholders para a aprovação do projeto.

Telas do protótipo do Google Home Services

Como entregáveis, esperavam uma apresentação de slides com os momentos chave de um protótipo de alta fidelidade.

O entregável da Sprint foi uma apresentação de slides com a Visão do produto

A equipe construiu um protótipo de alta fidelidade e uma apresentação com a Visão desse produto, conseguindo a aprovação e recursos para desenvolver e lançar esse produto do Google.

4. Design Sprint mirando na Lua

Esse formato de Sprint se assemelha muito à Sprint de Visão. Ele dá uma oportunidade de inovar e reimaginar um produto ou serviço, ajudando a abrir um espaço para explorar algo que não necessariamente estava no seu roadmap.

Você pode reimaginar como pessoas compram comida, explorar formas de construir fidelidade do cliente ou mesmo descobrir novas formas de monetização.

Kai Haley exemplifica alguns dos possíveis entregáveis desse tipo de Design Sprint: uma ampla gama de ideias em forma de esboço; apresentação em slides com sugestões de soluções para monetização; vídeo inspiracional ilustrando a oportunidade.

Um case para esse tipo de Sprint é o do Dimensions, em que foram trazidos 35 designers e desenvolvedores do Google para expandirem a plataforma Android. O objetivo dessa sprint foi gerar conceitos para aplicativos inspiracionais que aumentassem as capacidades únicas da plataforma Android. Como entregáveis dessa Sprint seriam protótipos de alta fidelidade funcionais.

O ponto vantajoso das Sprints mirando na lua é já trabalhar com restrições que poderiam aparecer em um produto regular, conseguindo inovar com maior facilidade e agilidade.

Um dos conceitos que foi desenvolvido nessas Sprints do Google foi o BaeWindow, que permite parear a tela de bloqueio do smartphone com seu cônjuge, podendo definir a imagem que aparece em sua tela de bloqueio.

Aplicativo BaeWindow, criado na Sprint mirando na Lua do Google

Saiba mais sobre o Design Sprint do BaeWindow: dimensionssprint.withgoogle.com

Apesar de não adentrar muito nos detalhes, a palestra de Kai Haley mostra o quanto o Design Sprint é uma grande caixa de ferramentas, que pode ser usado e ajustado para diferentes necessidades e objetivos.

O método permite ter uma visão 360° de um problema, alinhar equipes em relação às perspectivas de produto e negócio, unindo o time para determinar o melhor caminho para um produto seguir.


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